AULA
DE HISTÓRIA REFERENTE AO DIA 07/04/2020
ORIENTAÇÕES:
Podem
imprimir ou copiar o texto e a atividade no caderno. Bjinhos e boa semana!!
CRUZADAS
As Cruzadas foram
movimentos militares cristãos em sentido à Terra Santa com a finalidade de
ocupá-la e mantê-la sob domínio cristão.
No
século VII surgiu no Oriente Médio uma religião também monoteísta que
conquistaria muitos adeptos com o passar do século. O Islamismo foi difundido através do profeta Maomé e o
seu crescimento criaria grandes embates com o cristianismo. No final do século XI, a religião já havia se
tornado grande o suficiente para clamar por seus lugares sagrados, que, no
entanto, eram coincidentes com os lugares sagrados dos cristãos. A cidade de
Jerusalém é o principal local sagrado para essas duas religiões monoteístas e
também para o judaísmo. A ocupação da cidade e das regiões próximas que compõem
a chamada Terra Santa foi motivo de muitos conflitos entre essas religiões na
Idade Média e ainda é uma das causas da instabilidade no Oriente Médio.
O
termo Cruzada não era conhecido na época em que ocorreram. Só
foi assim nomeado porque seus participantes se consideravam soldados de Cristo
e se distinguiam pela cruz em suas roupas. Na época em que ocorreram, eram
chamadas de peregrinação ou de guerra santa pelos europeus. No Oriente Médio,
contudo, eram chamadas de invasões francas, em função da maioria dos cruzados
serem provenientes do Império Carolíngio e de se autodenominarem
francos.
O
entorno do ano 1000 viu o significativo crescimento das peregrinações de
cristãos a Jerusalém, pois eles acreditavam que o fim do mundo estava próximo
e, por isso, faziam sacrifícios e buscavam as terras sagradas para evitar a
eternidade no inferno. O mundo não acabou e os muçulmanos ocuparam cada vez
mais a Terra Santa, criando grandes impedimentos para o trânsito de cristãos. A
situação se agravou no decorrer do século XI e irritou os cristãos, que se
reuniram para a primeira expedição militar que os levaria à Terra Santa para
tentar expulsar os muçulmanos da região e devolvê-la aos cristãos. Entre os
anos 1096 e 1270, muitas expedições foram organizadas para tentar reconquistar
Jerusalém, porém os muçulmanos se mantiveram firme na região após vários conflitos.
Antes
da primeira Cruzada organizada por nobres europeus, houve um movimento
extra-oficial que ficou conhecido como Cruzada dos Mendigos ou Cruzada Popular. O monge Pedro reuniu
uma multidão que incluía mulheres, velhos e crianças para atuar como
guerreiros. A expedição até chegou ao Oriente, mas foi facilmente massacrada.
A Primeira Cruzada oficial foi convocada
pelo Papa Urbano II, que reuniu a nobreza europeia em 1095 para combater os infiéis que
ocupavam a Terra Santa. No ano seguinte, os cruzados partiram para Jerusalém e
tiveram sucesso, conquistando a Terra Santa, o principado de Antioquia e os
condados de Trípoli e Edessa.
Algumas
décadas depois, os muçulmanos conseguiram reconquistar a cidade de Edessa, o
que motivou uma nova expedição, a segunda Cruzada, entre os anos 1147 e 1149. No
entanto, não causou a mesma comoção da primeira e resultou em uma grave
derrota, o que deixou profundo ressentimento no Ocidente. Mais décadas se
passaram e, em 1187, o sultão Saladino obteve
uma vitória esmagadora sobre os cristãos em Jerusalém, reconquistando a cidade
para os muçulmanos. Em resposta, o Papa Gregório VIII convocou
uma nova Cruzada, que ficou famosa pela participação de três importantes
reis da Europa: Ricardo Coração de Leão, da Inglaterra; Frederico
Barbarossa, do Sacro Império Romano Germânico; e Felipe Augusto, da França. A Terceira Cruzada, que ocorreu entre os anos 1189
e 1192, mais uma vez, não resultou em vitória para os cristãos, mas o rei
Ricardo Coração de Leão conseguiu assinar um acordo de paz com Saladino
permitindo a peregrinação dos cristãos com segurança até Jerusalém.
No
início do século seguinte, nova Cruzada foi convocada para atacar Constantinopla. A expedição ocorrida entre 1202
e 1204 tinha fins políticos que não receberam a aprovação do Papa
Inocêncio III. A Quarta Cruzada deixou notáveis
consequências política e religiosas porque enfraqueceu o Império Oriental e
agravou o ódio entre a cristandade grega e latina. Poucos anos depois, em 1208,
o mesmo papa convocou uma Cruzada contra os cátaros no Lanquedoc. O catarismo,
doutrina que acreditava no dualismo, ou seja, na existência de um Deus bom e
outro mal, era considerado uma heresia e seu crescimento incomodava muito a Igreja
Católica. Séculos mais tarde, seus seguidores seriam perseguidos também
pela Inquisição.
Um
dos eventos mais curiosos envolvendo as Cruzadas certamente foi o de 1212. Na
ocasião, crianças e adolescentes que acreditavam estarem possuídas do poder
divino para reconquistar Jerusalém partiram em direção aos portos para
embarcarem rumo à Palestina. A expedição que ficou conhecida como Cruzada das Crianças vitimou vários dos jovens
ainda durante a viagem e os sobreviventes foram vendidos como escravos aos
muçulmanos quando atracaram no porto de Alexandria. Calcula-se que 50 mil
crianças tenham sido colocadas nos barcos da mais desastrosa das expedições
cristãs.
Nova
Cruzada oficial ocorreria entre os anos 1217 e 1221. Porém o fracasso não seria
novidade. A quinta expedição não conseguiu nem mesmo
superar as enchentes do Rio Nilo e acabou desistindo de seus objetivos de
tomar uma fortaleza muçulmana no Egito. Poucos anos depois, a Sexta Cruzada, ocorrida entre 1228 e 1229,
finalmente alcançou sucesso através da liderança de Frederico II.
Este conseguiu obter a posse de Jerusalém, de Belém e de Nazaré para os
cristãos por dez anos. No entanto, em 1244 os cristãos perderam o domínio
dessas localidades novamente para os muçulmanos.
Entre
1248 e 1254, a Sétima Cruzada foi liderada pelo rei
francês Luís IX que
desembarcou para combate no Egito e recebeu a oferta de posse de Jerusalém, a
qual recusou. Na continuidade dos conflitos, o rei foi aprisionado e seu
resgate custou 500 mil moedas de ouro. Mas foi o mesmo rei que comandou a Oitava Cruzada em 1270. Só que ele faleceu
devido à peste logo após desembarcar em Túnis, o que encerrou mais uma expedição.
Uma Nona Cruzada ainda é descrita por
alguns, embora muitos argumentem que tenha sido parte integrante da Oitava
Cruzada. Após a morte do rei Luís IX, o príncipe Eduardo da
Inglaterra teria comandado seus seguidores até o Acre (cidade em Israel) para
combater os adversários nos dois anos seguintes. Mas, preparando-se para atacar
Jerusalém, recebeu a notícia do falecimento de seu pai e decidiu retornar à
Inglaterra para herdar seu trono de direito, encerrando a expedição e o
turbulento século XIII.
As Cruzadas foram
um fracasso em seu objetivo de conquistar a Terra Santa para os cristãos.
Custaram muito caro para a nobreza europeia e resultaram em milhares de mortes.
No entanto, essas expedições influenciaram grandes transformações no mundo
medieval. Elas causaram o enfraquecimento da aristocracia feudal, fortaleceram
o poder real e possibilitaram a expansão do mercado. A civilização oriental
contribuiu muito para o enriquecimento cultural europeu, promovendo
desenvolvimento intelectual. Nunca mais Jerusalém foi dominada pelos cristãos,
mas as movimentações ocorridas no trajeto para a Terra Santa expandiram os
relacionamentos com o mundo conhecido na época.
Fontes:
http://www.youtube.com/watch?v=kBol2p_S1F4
MAALOUF, Amin. As Cruzadas vistas pelos árabes. São
Paulo: Brasiliense, 2001.
WILLIAMS, Paul. O guia completo das cruzadas. São Paulo:
Madras, 2007.
Texto originalmente
publicado em https://www.infoescola.com/historia/as-cruzadas/
ATIVIDADE
Pesquisar sobre a vida e as
realizações dos TEMPLÁRIOS.
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