Gênero textual: Crônica
Crônica
A crônica é um gênero textual narrativo típico de jornais e revistas.
Seus temas, em geral, são ligados à vida cotidiana urbana.
Características
A crônica é um
gênero discursivo que mescla a tipologia narrativa com
trechos reflexivos e, em alguns casos, argumentativos. A linguagem da
crônica costuma ser leve, marcada
por coloquialidade e, não raro, cada cronista tem seu
estilo próprio no uso das palavras. Os temas comuns a esse gênero são os mais variados
possíveis. Qualquer assunto cotidiano pode ser motivo de crônica. Por ser um
gênero nascido na cidade, é comum que tudo que ocorra no ambiente urbano passe
a ser escrito em forma de crônica.
Ex:
MOACYR
SCLIAR
O Outro
Atentos ao visual,
candidatos usam roupas para disfarçar características durante programa
eleitoral, como altura, peso e calvície. Eleições, 21.ago.2000 Ele queria muito
ser eleito. Não: ele precisava muito ser eleito. Estava atrás de um emprego que
lhe desse um bom salário, mordomias e verbas para gastar na contratação de
assessores -além, claro, das múltiplas oportunidades que, como vereador, teria.
O problema era arrumar votos. Não tinha amigos, não era conhecido, nem sequer
recebera um apelido pitoresco que pudesse usar na propaganda. Mas o pior não
era isso. O pior é que combinava um visual péssimo -baixinho, gordinho, careca-
com uma congênita inabilidade para falar em público. Em desespero, resolveu
procurar um marqueteiro. Estava disposto a gastar uma boa grana nisso, desde
que pudesse adquirir uma nova imagem, uma imagem capaz de garantir a eleição.
O marqueteiro, famoso, exigiu honorários salgados, mas garantiu resultados.
Que, de fato, não se fizeram esperar. Em poucas semanas o candidato era outro.
Mais magro, mais alto (saltos especiais) com uma bela peruca, parecia agora um
galã de novela. Além disso, transformara-se num fantástico orador, um orador
capaz de galvanizar o público com uma única frase.
Se foi eleito? Foi eleito com uma avalanche de votos. O que representou um
duplo alívio: de um lado, conquistava o cargo tão sonhado. De outro, podia
deixar de lado a peruca, os sapatos com saltos especiais e a dieta. E também
podia falar normalmente, no tom meio fanhoso que o caracterizava.
E aí começaram as surpresas desagradáveis. Quando foi tomar posse, ninguém o
reconheceu. Mas como? Então era aquele o tipo charmoso, magnético, da tevê e
dos cartazes? Era ele sim, como o comprovou, mostrando a identidade.
Não foi a única contrariedade. Logo descobriu que, como vereador, era péssimo:
não sabia falar, não convencia ninguém, sequer era procurado por lobistas. Bom
mesmo, concluiu com amargura, era o Outro, aquele que o marqueteiro tinha
inventado. Aquele sim, podia fazer uma grande carreira, chegando quem sabe à
Presidência.
Mas onde estava o Outro? Só uma pessoa poderia ajudá-lo nessa busca, o
marqueteiro. Só que o marqueteiro tinha sumido. Com o dinheiro ganho nas
eleições resolvera passar dois anos em alguma praia do Caribe.
Todas as noites o vereador sonha com o Outro. Vê-o na Câmara, discursando,
empolgando multidões. Mas não sabe o que fazer para encontrá-lo. Sabe, sim, o
que dirá se isso um dia acontecer. E o que dirá, numa voz fanhosa e emocionada,
será: o senhor pode contar com meu voto -para sempre.
Exercício
Escolha
um dos temas abaixo e faça uma crônica
a) Isolamento social
b) Covid-19
c) Ruas vazias
d) A violência no Brasil
e) O transito brasileiro
f) Escolas sem alunos
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