Gênero textual: conto
O conto é
um dos gêneros
narrativos mais comuns na tradição literária brasileira
O gênero
literário conto é estruturado como uma narrativa
curta que envolve apenas um conflito. Nessa
perspectiva, o momento de maior tensão do gênero é chamado de clímax. Além disso,
embora não seja uma regra, é comum que o conto apresente:
·
poucos personagens;
·
espaço ou cenário limitado;
·
recorte temporal reduzido.
Ex de conto
A
festa no céu
(Conto tradicional do Brasil)
Entre todas as aves, espalhou-se a notícia de uma
festa no céu. Todas as aves compareceriam e começaram a fazer inveja aos
animais e outros bichos da terra incapazes de voo.
Imaginem quem foi dizer que ia também à festa... O
Sapo! Logo ele, pesadão e nem sabendo dar uma carreira, seria capaz de aparecer
naquelas alturas. Pois o Sapo disse que tinha sido convidado e que ia sem
dúvida nenhuma. Os bichos só faltaram morrer de rir. Os pássaros, então, nem se
fala!
O Sapo tinha seu plano. Na véspera, procurou o
Urubu e deu uma prosa boa, divertindo muito o dono da casa. Depois disse:
— Bem, camarada Urubu, quem é coxo parte cedo e eu
vou indo, porque o caminho é comprido.
O Urubu respondeu:
— Você vai mesmo?
— Se vou? Até lá, sem falta!
Em vez de sair, o Sapo deu uma volta, entrou na
camarinha do Urubu e, vendo a viola em cima da cama, meteu-se dentro,
encolhendo-se todo.
O Urubu, mais tarde, pegou na viola, amarrou-a a
tiracolo e bateu asas para o céu, rru-rru-rru...
Chegando ao céu, o Urubu arriou a viola num canto
e foi procurar as outras aves. O Sapo botou um olho de fora e, vendo que estava
sozinho, deu um pulo e ganhou a rua, todo satisfeito.
Nem queiram saber o espanto que as aves tiveram,
vendo o Sapo pulando no céu! Perguntaram, perguntaram, mas o Sapo só fazia
conversa mole. A festa começou e o Sapo tomou parte de grande. Pela madrugada,
sabendo que só podia voltar do mesmo jeito da vinda, mestre Sapo foi-se
esgueirando e correu para onde o Urubu se havia hospedado. Procurou a viola e
acomodou-se, como da outra feita.
O sol saindo, acabou-se a festa e os convidados
foram voando, cada um no seu destino. O Urubu agarrou a viola e tocou-se para a
Terra, rru-rru-rru...
Ia pelo meio do caminho, quando, numa curva, o
Sapo mexeu-se e o Urubu, espiando para dentro do instrumento, viu o bicho lá no
escuro, todo curvado, feito uma bola.
— Ah! camarada Sapo! É assim que você vai à festa
no céu? Deixe de ser confiado...!
E, naquelas lonjuras, emborcou a viola. O Sapo
despencou-se para baixo que vinha zunindo. E dizia, na queda:
— Béu-Béu! Se desta eu escapar, nunca mais bodas
no céu!
E vendo as serras lá embaixo:
— Arreda pedra, senão eu te rebento!
Bateu em cima das pedras como um jenipapo,
espapaçando-se todo. Ficou em pedaços. Nossa Senhora, com pena do Sapo, juntou
todos os pedaços e o Sapo voltou à vida de novo.
Por isso o Sapo tem o couro todo cheio de
remendos.
(Luís Câmara Cascudo)
Obs: Pesquise sobre os elementos do conto
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