O conflito talvez seja a parte elementar de toda essa “trama”, pois é ele que confere motivação ao leitor/ouvinte, instigando-o a se envolver cada vez mais com a história. E para que haja essa interação, os fatos se devem a uma estruturação do próprio enredo, assim delimitada:
A introdução (ou apresentação) – Geralmente, constitui o começo da história, na qual o narrador apresenta os fatos iniciais, revela os protagonistas e eventualmente demarca o tempo e/ou espaço.
A complicação (ou desenvolvimento) – Nessa parte do enredo é que começa a se instaurar o conflito.
O clímax – Trata-se do momento culminante da narrativa, aquele de maior tensão, no qual o conflito atinge seu ponto máximo.
O desfecho – Conferidos toda essa tramitação, é chegado o momento de partirmos para uma solução dos fatos apresentados.
Tempo – Revela o momento em que tudo acontece, podendo ser classificado em cronológico e psicológico.
O tempo cronológico, como bem retrata a origem do vocábulo, é marcado pela ordem natural dos acontecimentos, ou seja, delimitado pelos ponteiros do relógio, pelos dias, meses, anos, séculos. Tendem a desencadear uma sequência linear dos fatos.
Já o psicológico é voltado para os elementos de ordem sentimental dos personagens, revelado pelas emoções, pela imaginação e pelas lembranças do passado.
O espaço – É o lugar onde se passam os fatos. Caracteriza-se como físico (geográfico), representados por ruas, praças, avenidas, cidades, dentre outros; e psicológico, referindo-se às condições socioeconômicas, morais e psicológicas condizentes às personagens
A grande cidade onde ele residia era muito alegre; todos os dias muitos estrangeiros chegavam de todas as partes do globo. Um dia dois vigaristas chegaram à cidade; eles faziam as pessoas acreditarem que eram grandes tecelões, e afirmavam poder confeccionar as roupas mais finas que alguém poderia imaginar. As cores e os modelos que eles criavam, diziam, não eram apenas excepcionalmente lindas, mas as roupas feitas com o material que eles produziam, possuíam a maravilhosa capacidade de ser invisível a qualquer pessoa que não tivesse preparada para o cargo que ocupava ou fosse imperdoavelmente tola.
"Essa deve ser uma roupa maravilhosa," pensou o imperador. "Se eu tivesse de vestir uma roupa feita com um tecido tão especial eu poderia descobrir quais ministros do meu império não estavam preparados para os seus cargos, e eu poderia distinguir o tolo do sábio. Eu preciso mandar fazer essa roupa para mim sem demora." E mandou oferecer uma grande soma em dinheiro para os vigaristas, antecipadamente, para que eles iniciassem o trabalho imediatamente. Eles prepararam dois teares, e fingiam trabalhar com muita eficiência, porém, não produziam nada em nenhum dos teares. Eles solicitavam as sedas mais finas, e os tecidos de ouro mais preciosos, e tudo o que eles conseguiam eles pegavam para eles e trabalhavam nos teares vazios até tarde da noite.
"Preciso enviar o meu ministro mais velho e mais honesto até os tecelões,” pensava o imperador. “Não há ninguém melhor do que ele para avaliar como as coisas estão indo, porque ele é inteligente, e ninguém entende melhor do seu ofício do que ele."
velho e bom ministro foi até o local onde os vigaristas ficavam diante dos teares vazios. "Meu Deus do céu!" pensou ele, e arregalou os olhos, "Eu não estou conseguindo ver nada em absoluto!", mas ele não disse isso. Os dois vigaristas pediram para que ele se aproximasse, e lhe perguntaram se ele não admirava os modelos primorosos e as cores belíssimas, e mostrava os teares vazios. O pobre e velho ministro se esforçava o melhor que podia, mas não conseguia ver nada, porque não havia nada mesmo para ser visto. "Oh, céus," pensava ele, "como posso ser tão tolo? Jamais teria pensado assim, e ninguém pode saber disso! Será possível que eu não estou preparado para o posto que exerço? Não, não, eu não posso dizer que eu não consigo ver o tecido.""Então, o que você tem a dizer? disse um dos vigaristas, enquanto ele fingia estar super ocupado tecendo.
"Oh, é muito bonito, extremamente belo," respondeu o velho ministro esforçando-se por enxergar através dos seus óculos. "Que modelo primoroso, que cores brilhantes! Irei imediatamente dizer ao imperador que eu gostei muito da roupa."
"Ficamos muito contentes em ouvir isso," disseram os dois tecelões, e descreveram para ele as cores e deram explicações sobre o curioso modelo. O velho ministro escutou tudo muito atenciosamente, para que ele pudesse relatar ao imperador o que eles haviam dito, e assim fez ele.
Então os vigaristas pediram mais dinheiro, seda, e tecido de ouro, que eles diziam serem necessários para o serviço de tecelagem. Eles escondiam tudo para si mesmos, e nem sequer uma linha chegava perto do tear, mas eles continuavam como até agora, a trabalhar em teares vazios.
Logo depois o imperador enviou um outro cortesão honesto até os tecelões para saber tudo o que estava acontecendo, e se a roupa já estava quase terminada. Do mesmo modo que o velho ministro, ele olhava e olhava mas não conseguia ver nada, mesmo porque não havia nada para ver.
"Não é uma linda peça de vestuário?" perguntaram os dois trapaceiros, mostrando e explicando os magníficos modelos, que todavia, jamais existiram.
"Eu não sou estúpido", pensou o homem. "Deve ser por causa do elevado cargo que ocupo e para o qual eu não estou preparado. É muito estranho, mas eu não posso permitir que ninguém fique sabendo;" então ele elogiou a roupa, que ele não via, e expressou a sua alegria diante das cores maravilhosas, e do finíssimo modelo. "É muito lindo," disse ele ao imperador.
odo mundo na cidade inteira comentava sobre a beleza da roupa. Finalmente, o próprio imperador desejou ver com seus próprios olhos, quando a roupa ainda estava sendo tecida nos teares. Acompanhado por um séquito de cortesãos, incluindo os dois que já haviam estado lá, ele foi até os dois vigaristas espertos, que agora empregavam maior esforço no trabalho, sem usar nem sequer um fio de linha."Não é maravilhoso?" disseram os dois outros chefes de estado que já haviam estado lá anteriormente. "Com certeza a Vossa Majestade vai admirar as cores e os padrões." E então apontavam para os teares vazios, pois acreditavam que os outros não estavam vendo o tecido.
"Mas o que é isso?" pensou o imperador, "eu não estou vendo nada. Isso é terrível! Serei eu um tolo? Será que estou despreparado para ser imperador? Essa seria a coisa mais terrível que poderia me acontecer."
"Realmente," disse o imperador, virando-se para os tecelões, "a sua roupa tem toda a nossa aprovação." e balançando a cabeça satisfeito olhava para o tear vazio, pois ele não queria dizer que não estava vendo nada. Todos os acompanhantes, que faziam parte da sua comitiva, ficavam olhando e embora não pudessem ver nada mais do que viam os outros, ele concordaram com o imperador, "É muito lindo." E todos aconselharam para que o rei usasse aquela roupa maravilhosa durante uma grande procissão que em breve estaria para ser realizada. "É magnífico, lindíssimo, excelente," disse um deles, todos pareciam estar encantados, e o imperador nomeou os dois vigaristas como os "tecelões imperiais da corte".
A noite toda que precedeu ao dia quando a grande procissão se realizaria, os trapaceiros fingiam trabalhar e só nesse dia queimaram mais de dezesseis velas. As pessoas deveriam ver que eles estavam ocupados fazendo os acabamentos da nova roupa do imperador. Eles fingiam tirar a roupa do tear, e pareciam estar trabalhando no ar com grandes tesouras, e costuravam com agulhas que não tinham linhas, e disseram no final: "A nova roupa do imperador ficou pronta."
imperador e todos os seus cortesãos foram até o salão, os vigaristas mantinham seus braços levantados como se estivessem segurando alguma coisa na mãos e disseram: "Estas são as calças!" "Este é o casaco!" e "Aqui está o manto!" e assim por diante. "Estes trajes são tão leves quanto teia de aranha, e a pessoa se sente como se não estivesse usando nada no corpo, mas aí é que está a beleza delas.""De fato!" disseram os cortesãos, mas eles não conseguiam ver nada, porque não havia mesmo nada para ser visto.
"Será que a Vossa Majestade por gentileza poderia se despir," disseram os trapaceiros, "para que possamos auxiliar a Vossa Alteza nos ajustes da nova roupa diante do grande espelho?"
O imperador se despiu, e os vigaristas fingiram colocar nele a nova roupa, peça por peça, e o imperador olhava para si mesmo no espelho de todos os lados.
"Como ela lhe caiu bem!" "Como ficou bonita!" disseram todos. "Que modelo arrojado! Que cores belíssimas! Esse é um traje magnífico!"
O mestre das cerimônias anunciou que os carregadores do pálio, que haveriam de desfilar durante a procissão, já estavam prontos.
"Eu estou pronto," disse o imperador. "A minha roupa nova não caiu perfeitamente bem?" Então ele se virou mais uma vez para o espelho, para que as pessoas pensassem que ele estava admirando os seus novos trajes.
s camareiros, que iriam ajudá-lo a carregar a cauda, estenderam suas mãos até o chao como se estivessem levantando a cauda, e fingiam segurar alguma coisa em suas mãos, eles não queriam que as pessoas soubessem que eles não estavam vendo nada.O imperador marchava na procissão sob o belo pálio, e todos que olhavam para ele na rua e pelas janelas exclamavam: "De fato, o novo traje do imperador é incomparável! que longa causa que ele tem! Como a roupa caiu bem para ele!" Ninguém queria que os outros soubessem que eles não viam nada, pois que seriam considerados incapacitados para o cargo que ocupavam ou tolos demais. Nunca as roupas do imperador foram tão admiradas.
"Mas ele não está usando nada," disse uma pequena criança afinal.
"Deus do céu! ouçam a voz de uma criança inocente," disse o pai, e um sussurrava para o outro o que a criança havia dito. "Mas ele não está usando nada", gritaram afinal todas as pessoas. Isso causou uma forte impressão no imperador, pois lhe pareceu que as pessoas tinham razão, mas ele pensou consigo mesmo, "Agora eu vou ter de aguentar isso até o fim." E os camareiros caminhavam com mais dignidade ainda, como se carregassem a cauda que não existia.
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