Aula dia 06/04
Copiar a atividade e responder no caderno.
Pé de Guerra
Zezinho gostaria que os soldados de brinquedo tivessem vida. Lutassem. Gostaria , sim. Até que um dia, no quintal, depois de cavar pequenas trincheiras, conforme vira no cinema do bairro, arrumou-os em posição de combate. Os canhões ficaram atrás.
A imaginação trabalhou, violenta. As tropas
inimigas, frente ao seu pequeno exército, foram vencidas de forma violenta em
pouco tempo. Mas a sua vitória lhe trouxe imensa tristeza. Como consertar os
inimigos quebrados? Zezinho sentiu que podia destruir: mas estava muito triste.
Nem sequer comeu, naquele dia, o jantar que sua mãe preparara.
_Só um pouquinho.
_Não quero.
_Por que, menino?
_Mãe...eu matei gente, hoje. Uma porção de
soldados.
_Quê?
_Soldados sem perna. Sem cabeça. Sem braço. Foi
horrível. Tenho vontade de chorar.
_Que bobagem é essa?
_Mãe...Você compra aquela ambulância na venda do
Onofre? A que tem a cruz vermelha?
_Para quê?
_Para tratar deles. Vou fazer muletas de
pau-de-fósforos.
Zezinho teve febre. Chamaram o doutor. Ninguém
entendia. Mas a guerra continuava na febre do menino.
_Avançar! Primeiro canhão, fogo! Continuava a
loucura bélica.(...) O médico falou:
_Não entendo. Ele comeu alguma coisa na rua?
_Não doutor. Brincou o dia todo no quintal. Foi
examinado dos pés a cabeça. Nada.
_Vou receitar calmante. Ele está muito agitado. Não
entendo, mesmo.
No dia seguinte, Zezinho resolveu enterrar seus
mortos. Generais e soldados. Lado a lado. Maneco pulou a cerca e perguntou o
que era aquilo.
_Nada.
_E esse negócio aí, com a bandeirinha?
_Nada, vá embora! Já disse.
Maneco foi. Ele
arrumou alguns sobreviventes inimigos. Estava com raiva. Sem tristeza. Arrumou seu exército. Poucos existiam do outro lado. Mas
eram inimigos.
( ...) A devastação foi geral. Conferiu: nada mais
restava. Olha, depois, suas tropas. Perdera a noção das coisas: destruiu seu próprio
exército. Nada mais restava dos brinquedos. Marchou sozinho pelo quadrado de
terra, limitado pelas cercas de bambus. Com a corneta, presente do tio Anselmo,
tentou atirar alguns sons. Corneta rouca de plástico. Apanhou pedras e foi
atirando. Quebrou vidraças. Só então, lembrou-se que os pais brigavam dia e
noite. Discutiam. Certa vez, o pai bateu na mãe. Tentou socorrê-la, mas foi
atirado contra a parede esburacada. Sangrou.
Brigavam muito. Principalmente quando o pai chegava
bêbado.
Os soldadinhos eram comprados com as economias da
mãe: costurava para fora.
Chegou em casa e apanhou a caixa de sapatos, vazia.
Desenterrou os sepultados mutilados. No tanque, lavou-os com amor: pernas,
braços, cabeças.
Ressuscitava-os na sua imaginação. Arrumou-os na caixa
e jogou fora os armamentos. Lamentava aquela guerra inútil, tentando consertar
os estragos. Naquele instante, sentiu-se feliz: havia paz.
(Pé
de guerra. QUINTANILHA, Dirceu.)
Análise do texto
1.Pesquise o significado das palavras: agressivo e
calmo.
2.Você acha que a guerra é uma forma de violência.
Que outros tipos de violência você conhece ou presenciou? Comente.
3.Que resposta você daria para Zezinho, se ele
perguntasse: _ A guerra é boa?
4.Será que ganhamos algo quando ficamos nervosos ou
sempre que ficamos nesse estado as coisas se complicam? Comente.
5.Às vezes é difícil evitar uma atitude
nervosa. No entanto, quando nos depararmos com esse sentimento qual é o melhor
caminho, como devemos proceder?
6.Comente a frase: “ Olhou, depois, suas tropas, perdera a noção das coisas: destruiu seu
próprio exército.”
7.Você concorda que sempre que ficamos nervosos
perdemos a noção das coisas? Comente.
9.Para cada
palavra com valor negativo abaixo encontre outra com valor positivo:
Tristeza – _______________
Maldade – _______________
Ódio – _______________
Guerra – _______________
Falsidade – _______________
Nervoso – _______________
Solitário – _______________
Arrogante – _______________

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